Parafraseando ex-governador paulista Orestes Quercia, em meio a um protesto de professores acalmados na porrada, "democracia é muito bom, mas baderna eu não vou permitir". É esse o contexto da declaração repetida de Israel e seus amigos de que o Hamas é o maior inimigo dos palestinos, que elegeram os militantes extremistas para representá-los em Gaza.
O subtexto é "vocês elegeram esses vagabundos em um pleito justo, é verdade. Mas eles não gostam de nós e nós não gostamos deles. Tomem umas bombas aí e fiquem quietos por um tempo. Sabemos que a condenação internacional não vai demorar e vamos aproveitar o máximo para sufocar vocês".
O resultado será mais uma geração de homens-bomba palestinos. E Israel já deve ter medido as consquências que virão antes mesmo de entrar em guerra. Então por que tudo isso?
A resposta pode ter saído de uma declaração do chefe do Estado-Maior do Exército israelense (um cargo decorativo como é no Brasil).Segundo ele, o Hamas fez tudo por merecer e os rivais seculares do Fatah, moderados expulsos de Gaza, só reclamam por reclamar, porque também querem que o Hamas se arrebente para poder voltar à região.
Faz todo sentido para quem vê tudo sob a lógica da guerra. Não faz nenhum para quem enxerga o desperdício de mais uma geração por conta da falta de diálogo entre israelenses e palestinos. Para a maioria, o recado não chegou direito.
Parece eterno (30/11)
Há 14 anos